Escolas do DF terão conteúdo preventivo ao combate à violência contra a mulher
MPDFT cobra detalhamento de plano distrital para que combate à violência contra a mulher integre currículo pedagógico e formação de professores.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) intensificou a cobrança para que as políticas públicas de proteção ao gênero sejam incorporadas de forma definitiva e clara no ambiente escolar. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (03.02), o órgão detalhou a solicitação para que o Plano Distrital de Enfrentamento à Violência contra a Mulher especifique, com maior rigor, como as escolas públicas da capital devem aplicar conteúdos obrigatórios de prevenção à violência contra a mulher.
A movimentação do Ministério Público ocorre em um momento estratégico de planejamento para os próximos sete anos. O objetivo central é garantir que a educação não seja apenas uma aliada ocasional, mas o eixo estruturante de uma mudança cultural que visa reduzir os índices de feminicídio e agressões domésticas no Distrito Federal. Para o órgão fiscalizador, a clareza textual no plano é fundamental para que as intenções governamentais se transformem em práticas pedagógicas mensuráveis e obrigatórias em todas as unidades de ensino da rede pública.
Alinhamento com a legislação distrital vigente
A fundamentação da cobrança feita pelo MPDFT baseia-se no cumprimento de leis já aprovadas e em vigor no território. Entre os marcos legais citados durante as recentes reuniões técnicas, destaca-se a Lei Distrital nº 6.367/2019. Esta legislação estabelece que a rede pública de ensino do DF deve obrigatoriamente ofertar aos alunos noções básicas sobre a Lei Maria da Penha. O Ministério Público argumenta que, embora a lei exista, o novo Plano Distrital precisa servir como o braço operacional que detalha a aplicação desses conceitos.
Na última sexta-feira (30.01), uma reunião de alinhamento reuniu representantes das pastas de Educação, Mulher e Segurança Pública, além de promotorias especializadas. O foco do encontro foi garantir que o currículo escolar reflita as demandas sociais por maior segurança e respeito às mulheres. A visão compartilhada pelos órgãos de controle é que o enfrentamento à violência não deve se restringir à segurança pública repressiva, mas começar na base da formação do cidadão, utilizando a informação como ferramenta de prevenção primária.
Detalhamento pedagógico e monitoramento de ações
Um dos pontos mais sensíveis discutidos pelos núcleos especializados do MPDFT diz respeito à subjetividade de alguns tópicos do plano atual. O órgão apontou que é necessário detalhar, de forma objetiva, como os conteúdos de gênero devem aparecer nos currículos e nas atividades cotidianas das escolas. Não basta apenas citar a intenção de ensinar; o plano deve prever metas claras, metodologias de ensino e, principalmente, mecanismos de monitoramento que permitam avaliar o impacto das ações desenvolvidas pela rede.
Em resposta às provocações do Ministério Público, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) apresentou um balanço das iniciativas que já estão em curso. Entre as ações listadas estão programas de formação continuada para professores e gestores, a produção de materiais didáticos específicos e o acompanhamento de projetos interdisciplinares nas escolas. No entanto, o MPDFT reforça que essas ações precisam estar explicitamente integradas ao Plano Distrital de Enfrentamento à Violência contra a Mulher para garantir que não sejam interrompidas em futuras gestões.
Ajustes redacionais e próximos passos
O entendimento alcançado entre as secretarias e o Ministério Público reforça a tese de que a escola é o local ideal para a construção de uma cultura de respeito. Com informação técnica e formação acadêmica, busca-se desconstruir preconceitos que alimentam o ciclo da violência. Para os promotores envolvidos, a escola oferece o ambiente controlado necessário para que crianças e adolescentes desenvolvam empatia e conheçam os canais de denúncia e a rede de proteção disponível no Distrito Federal.
Como encaminhamento prático da reunião, as autoridades definiram um cronograma célere para as modificações. A Secretaria de Educação comprometeu-se a enviar, até o dia 06 de fevereiro, os ajustes redacionais solicitados. Essas alterações deverão dar maior evidência às ações educacionais já existentes e tornar explícita a inclusão formal dos conteúdos de prevenção nas práticas pedagógicas. Com a atualização do documento, o DF espera ter um plano mais robusto e capaz de nortear as políticas de gênero até o início da próxima década, unindo educação e segurança em uma única frente de atuação.

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