Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, 2 de abril: Inclusão no Brasil

COMPARTILHE!
 Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, 2 de abril: Inclusão no Brasil
Reprodução arte: Freepik
 Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, 2 de abril: Inclusão no Brasil
Reprodução arte: Freepik

Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, 2 de abril: Inclusão no Brasil O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, busca promover a inclusão social e o respeito às pessoas com TEA. Diante do crescente número de diagnósticos, a identificação precoce tem se tornado um foco central de debate. […]

O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem apresentado um aumento significativo nas últimas décadas, evidenciando a necessidade de maior conscientização e suporte para essa população. Dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que, em 2023, 1 a cada 36 crianças de oito anos foi diagnosticada com TEA, um aumento alarmante em comparação com os números de anos anteriores. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que existam cerca de 2 milhões de pessoas com autismo no país.

Diagnóstico Precoce: Transformando Trajetórias

“O diagnóstico precoce tem o potencial de transformar a trajetória de vida das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A identificação dos sinais nos primeiros anos de vida possibilita o início imediato de terapias que, aplicadas de forma eficaz e personalizada, promovem avanços significativos”, afirma um especialista na área. A prática clínica demonstra que quanto mais cedo for o diagnóstico, maior a chance de trabalhar o desenvolvimento da pessoa, minimizando desafios na interação social, comunicação e comportamento.

Alguns sinais importantes que podem indicar a condição em crianças, jovens e adultos incluem: 

*pouco ou nenhum contato visual,

*não responder ao próprio nome,

*atraso na fala ou comunicação gestual,

*dificuldade em interagir com outras crianças,

*comportamentos repetitivos,

*interesse intenso por um único tema ou objeto,

*sensibilidade extrema a sons, luzes ou texturas.

Acessibilidade e Inclusão: Além do Discurso

No Brasil, segundo a Pnad Contínua do IBGE (2022), há cerca de 760 mil crianças de dois a nove anos com algum tipo de deficiência. Esse número salta para 1,7 milhão ao considerarmos adolescentes de até 19 anos. Além disso, o CDC estima que 1 em cada 36 crianças seja diagnosticada com TEA, o que representa cerca de 5,6 milhões de brasileiros no espectro.

Apesar da representatividade numérica, a inclusão ainda se restringe ao discurso. A acessibilidade não se resume a rampas e banheiros adaptados; trata-se de criar um ambiente onde todas as pessoas possam conviver sem barreiras físicas ou sociais. O preconceito é um dos principais obstáculos enfrentados por mães, que lidam com olhares de reprovação, falta de suporte adequado e políticas públicas ineficazes.

O setor privado ainda enxerga a inclusão como um custo, e não como uma oportunidade de atender a um público consumidor com necessidades específicas. Um simples detalhe, como um ambiente sem luzes fortes ou sons intensos, pode ser a diferença entre uma experiência tranquila ou um episódio de sobrecarga sensorial para uma criança autista.

Desafios na Educação e Políticas Públicas

No sistema educacional, a situação também é preocupante. Muitas escolas aceitam matrículas de alunos com deficiência apenas para cumprir a legislação, mas não oferecem suporte adequado. A falta de profissionais capacitados e a ausência de práticas pedagógicas inclusivas isolam ainda mais essas crianças.

A presença de acompanhantes terapêuticos (ATs) é vista de forma controversa, com escolas que exigem ou proíbem sua presença em sala de aula. Para as famílias de classe mais baixa, não há opção e resta apenas agradecer que a escola aceite a matrícula e não expulse a criança.

As políticas governamentais também apresentam desafios. A recente mudança no Benefício de Prestação Continuada (BPC) demonstrou o retrocesso de uma política pública que já é aplicada de maneira equivocada. Os critérios para concessão do BPC são considerados subjetivos e excludentes, dificultando o acesso ao benefício por famílias de baixa renda.

Rumo a uma Sociedade Inclusiva: Mudança de Mentalidade

É urgente que empresas, escolas e políticas públicas deixem de enxergar as pessoas com TEA apenas como estatísticas e passem a reconhecê-las como cidadãos plenos, com direitos e necessidades específicas. A acessibilidade deve ser pensada de maneira ampla, envolvendo infraestrutura, treinamento e acolhimento humano.

A sociedade precisa superar o capacitismo e a falta de empatia, reconhecendo as capacidades e potencialidades das pessoas com TEA. A neurodiversidade demonstra como a mente humana é poderosa, e muitos indivíduos no espectro autista apresentam superdotação e hiperfocos, características que podem ser valorizadas e aproveitadas.

A construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva exige uma mudança de mentalidade, onde o respeito, as oportunidades e a aceitação sejam a base para a convivência. É preciso garantir que todas as crianças, com ou sem deficiência, possam crescer sabendo que são amadas, aceitas e respeitadas.

Por    minuto61

Quer ficar por dentro de todas as novidades?
Siga o      Minuto61 no Instagram   !

Receba as últimas notícias no Whatsapp!
Siga o canal “Últimas Notícias”  WhatsApp

Quer denunciar ou sugerir uma reportagem?
Envie para Portal Minuto61 DF

Portal Minuto 61 © 2022 – Strike Media

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Conheça nossa política de privacidade.