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O que foi dito sobre o Cerrado durante os GTs da transição

O que foi dito sobre o Cerrado durante os GTs da transição
reprodução: apublica.org
Berço das águas por abrigar oito das doze principais bacias hidrográficas do Brasil, o Cerrado tem menos de 10% de sua área total protegida por unidades de conservação

O que foi dito sobre o Cerrado durante os GTs da transição

Berço das águas por abrigar oito das doze principais bacias hidrográficas do Brasil, o Cerrado tem menos de 10% de sua área total protegida por unidades de conservação. O desmatamento está em constante alta no bioma desde a posse de Jair Bolsonaro (PL), mesmo período em que o agronegócio se fortalece cada vez mais na região. A savana mais rica em biodiversidade do planeta vive em incerteza quanto a seu futuro no governo Lula (PT), conforme relatos de ambientalistas, representantes de comunidades tradicionais e políticos envolvidos no gabinete da transição, ouvidos nas últimas semanas pela Agência Pública.

“Em um primeiro momento, sabemos que não dá para contar com mais dinheiro na proteção do Cerrado, mas nossa expectativa é sim de maior empenho do novo governo nessa tarefa”, disse à reportagem Maria de Lourdes de Souza Nascimento, coordenadora-geral da Rede Cerrado – composta por mais de 300 entidades da sociedade civil, associadas direta e indiretamente, unidas pela defesa do bioma.

No fim de novembro, a Rede Cerrado entregou ao gabinete da transição uma lista de temas prioritários para a devida retomada da proteção ao bioma. Além disso, também teve reuniões virtuais e presenciais com o grupo técnico (GT) de Meio Ambiente da transição em Brasília (DF), para discutir o papel do Cerrado no futuro governo.

“A candidatura de Lula consolidou uma ideia de desenvolvimento sustentável não só para o Cerrado, como para os outros biomas”, afirmou à Pública o relator do GT de Meio Ambiente, Pedro Ivo Batista, também co-fundador do partido Rede Sustentabilidade. “Há divergências quanto aos modelos para isso, mas caberá ao presidente arbitrar os interesses e definir novos rumos”, disse ainda.

As divergências citadas por Batista podem ser notadas em outro GT da transição, o de Agricultura. Nele, há políticos diretamente ligados ao agronegócio no Cerrado, como por exemplo a ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu (PP-TO) – mente por trás do chamado Matopiba, apelido da nova fronteira da soja no país, situada em meio ao que ainda resta de vegetação nativa em pé no bioma. 

Aliado do ‘rei da soja’ Blairo Maggi, o deputado federal e também ex-ministro da pasta Neri Geller (PP-MT) integrou o GT da Agricultura. Atual vice-presidente da bancada ruralista na Câmara, ele relata a proposta de exclusão do Mato Grosso da Amazônia Legal – projeto que, segundo organizações da sociedade civil, aproveita-se das autorizações legais para o desmatamento no Cerrado, mais permissivas que as da Amazônia.

À Pública, Geller defendeu a necessidade de mudanças quanto à “narrativa do agro” pelo futuro governo. “Partimos do ponto que nós já temos a legislação [ambiental] mais exigente do mundo e que ela deve ser respeitada”, disse, além de afirmar que “criminosos ambientais têm de ir para a cadeia e aqueles que produzem dentro da lei devem ser reconhecidos”.

Para além, o ex-ministro endossa o trabalho de grandes agroempresas no bioma. Algumas delas monitoram a origem de parte dos grãos e commodities que comercializam, alegando, assim, maior chance de evitar o desmatamento ligado à produção agrícola. Mas este modelo tem problemas, pois cadeias indiretas de fornecimento seguem opacas, com o comércio de soja cultivada em áreas devastadas ilegalmente ou até mesmo griladas.

Fonte: apublica.org – Caio de Freitas Paes / @agenciapublica –  facebook.com/agenciapublica

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