Manoel Carlos mestre da teledramaturgia nacional morre aos 92 Anos

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Manoel Carlos mestre da teledramaturgia nacional morre aos 92 Anos
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Manoel Carlos mestre da teledramaturgia nacional morre aos 92 Anos

 O Brasil se despede hoje de um dos maiores cronistas da alma humana e mestre da teledramaturgia nacional. Manoel Carlos, carinhosamente conhecido como Maneco, faleceu aos 92 anos, deixando um vácuo irreparável na cultura brasileira. O autor, que transformou o cotidiano do bairro do Leblon em um palco universal para dramas familiares, dilemas éticos e a exaltação da maternidade, teve sua morte confirmada nesta manhã. Sua trajetória é um marco na história da televisão, definindo um estilo de narrar que unia sofisticação, realismo e uma profunda sensibilidade feminina.

Nascido em São Paulo em 1933, Maneco não era apenas um roteirista; ele era um observador atento. Sua escrita era marcada por diálogos naturais e pela capacidade de transformar o “café da manhã das famílias” em um momento de alta tensão dramática. Ao longo de décadas, ele construiu um universo próprio — o universo “manequiano” — onde a Bossa Nova servia de trilha sonora para conflitos que, embora ambientados na elite carioca, ressoavam em todas as classes sociais por tratarem de sentimentos universais: amor, traição, perdão e sacrifício.

O Criador das Helenas Inesquecíveis

A marca registrada mais famosa de Manoel Carlos foi, sem dúvida, a criação da protagonista Helena. Para o autor, o nome não era apenas uma coincidência, mas um arquétipo de mulher forte, imperfeita e profundamente ligada aos laços familiares. A tradição começou em 1981, com Lilian Lemmertz em Baila Comigo, e atravessou gerações, sendo interpretada por ícones como Maitê Proença, Vera Fischer, Christiane Torloni, Regina Duarte e Taís Araújo — esta última, a primeira Helena negra, em Viver a Vida.

A Helena de Regina Duarte em Por Amor (1997) talvez tenha sido o ponto culminante dessa construção. Ao trocar seu filho vivo pelo neto morto para poupar a dor da própria filha, a personagem gerou um dos debates éticos mais intensos da história da TV. Maneco tinha esse dom: ele não julgava seus personagens; ele os colocava em situações limites que obrigavam o público a refletir sobre o que faria em circunstâncias semelhantes. A maternidade era, para ele, o combustível mais potente da humanidade.

O Leblon Como Palco da Vida

Dificilmente um autor esteve tão associado a uma localização geográfica quanto Manoel Carlos ao Leblon. Em suas novelas, o bairro da Zona Sul carioca não era apenas um cenário, mas um personagem vivo. Através de suas lentes, o Brasil conheceu as livrarias, os calçadões e os apartamentos amplos onde se discutiam os rumos do coração. Essa escolha não era por futilidade, mas por uma busca de “estética da crônica”. Maneco acreditava que, ao falar de sua aldeia, ele falava para o mundo.

Em Laços de Família (2000), ele parou o país com a cena de Camila (Carolina Dieckmann) raspando a cabeça ao som de “Love by Grace”. O autor utilizou a ficção para promover uma campanha sem precedentes de doação de medula óssea, provando que sua escrita tinha poder de transformação social. Da mesma forma, em Mulheres Apaixonadas (2003), ele abordou temas como violência doméstica, alcoolismo e o preconceito contra idosos, sempre inserindo a crítica social dentro do fluxo natural da vida doméstica.

Do Teatro ao Topo da Teledramaturgia

A carreira de Manoel Carlos começou muito antes do sucesso no horário nobre da TV Globo. Ele passou pela TV Tupi, TV Excelsior e TV Record, atuando como diretor, ator e roteirista. Foi um dos pilares do lendário Família Trapo e contribuiu para o inovador Malu Mulher. Essa bagagem multidisciplinar deu a ele a segurança para escrever obras que privilegiavam a atuação. Maneco escrevia para os atores; ele conhecia a voz de cada um e entregava textos que eram verdadeiros presentes para o elenco.

Mesmo após sua aposentadoria das novelas diárias, com Em Família (2014), seu legado continuou vivo em reprises que alcançavam audiências fenomenais, provando que sua narrativa era atemporal. Manoel Carlos deixa o cenário nacional com a certeza de que a televisão pode, sim, ser arte literária. Ele sai de cena aos 92 anos, mas suas Helenas, suas músicas de Tom Jobim e seus diálogos sobre a complexidade de amar garantem que o “Leblon de Maneco” será eterno na memória do povo brasileiro.

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