Socorrinho: atleta acumula títulos aos 67 anos, neste ano terá competições nacionais e Mundial em Dubai .
A história de Maria do Socorro Ferreira da Silva, carinhosamente conhecida como Socorrinho, é um manifesto contra as limitações impostas pelo tempo e pelo luto. Moradora do Guará I, no Distrito Federal, ela se tornou um dos maiores nomes do fisiculturismo na terceira idade, provando que o vigor físico e a resiliência emocional podem ser reconstruídos em qualquer etapa da vida. Aos 67 anos, a atleta acumula títulos que impressionam: em 2024, alcançou o posto de quarta maior fisiculturista do mundo na categoria Open durante a Copa do Mundo de Fisiculturismo e Fitness, realizada na Espanha.
O sucesso nos palcos internacionais, no entanto, é o resultado de uma jornada que começou em meio a perdas profundas. Em 2009, Socorrinho enfrentou a dor traumática de perder um filho de apenas 23 anos. No ano seguinte, despediu-se da mãe e de um irmão. Mais recentemente, a pandemia de Covid-19 levou seu companheiro. Diante do vazio deixado por seus entes queridos, ela encontrou no fisiculturismo a força necessária para enfrentar a saudade e restabelecer a vontade de viver. O esporte, que surgiu por acaso em sua vida, tornou-se sua principal ferramenta de cura.
Rotina de ferro entre o trabalho e os treinos
Engana-se quem pensa que a vida de uma atleta de elite se resume aos pesos da academia. Socorrinho equilibra uma agenda exaustiva com disciplina militar. Funcionária pública e chefe da Ouvidoria da Novacap, ela inicia sua jornada às 5h da manhã com uma hora de exercícios aeróbicos. Após cumprir suas obrigações profissionais, retorna aos treinos noturnos de musculação. Os finais de semana são reservados para o aperfeiçoamento de coreografias e poses, essenciais para o julgamento nas competições.
Além da carga de trabalho e do treinamento, ela exerce o papel de cuidadora de seu irmão de 70 anos, que convive com os diagnósticos de Alzheimer e Parkinson. Entre o preparo de refeições balanceadas para o dia seguinte e a atenção familiar, a atleta descarta desculpas sobre a falta de tempo. Para ela, o segredo da longevidade ativa não está em questionar a viabilidade das tarefas, mas na execução imediata. Essa persistência transformou a “coroa doidinha” — como era chamada no início, aos 50 anos — em uma referência técnica e moral para o esporte brasileiro.

Ciência nutricional e preparação de elite
O preparo para as competições de fisiculturismo exige um conhecimento profundo sobre o próprio corpo. Nos dias que antecedem os torneios, Socorrinho intensifica os exercícios cardiovasculares e a ingestão de água, enquanto reduz drasticamente o consumo de sal e carboidratos para “secar” o corpo. No entanto, após a pesagem oficial, a estratégia muda para o chamado Carb Up. Nesse estágio, para garantir que os músculos ganhem volume e definição máxima no palco, ela chega a consumir até 1 kg de arroz diariamente, distribuído em pequenas porções de hora em hora.

Essa manipulação metabólica rigorosa é acompanhada de perto pelo Centro de Treinamento André Torres, onde ela lapida o físico de 1,48 m de altura que desafia gigantes. O objetivo da atleta ultrapassa a estética; ela busca a “renovação espiritual e emocional”, utilizando seu corpo como uma tela que demonstra saúde e autonomia. Para a guaraense, envelhecer de forma saudável é uma escolha política e pessoal que subverte as expectativas de uma sociedade que muitas vezes invisibiliza a mulher idosa.

O combate ao preconceito e ao etarismo
A trajetória de Socorrinho também é marcada pela resistência social. Ao longo da carreira, a atleta enfrentou camadas sobrepostas de preconceito: por ser mulher em um esporte historicamente masculinizado e por ser uma pessoa idosa em um ambiente que idolatra a juventude. Críticas sobre a musculatura de seus braços e comentários depreciativos sobre sua aparência são comuns, mas ela os utiliza como degraus para sua evolução. O etarismo, segundo ela, ainda é uma barreira real, mas que perde força diante de seus resultados expressivos.

Hoje, reconhecida nacional e internacionalmente, ela afirma que o reconhecimento tardio não diminui a importância de sua missão. O maior troféu, em sua visão, não são as medalhas pan-americanas ou mundiais, mas o fato de servir de exemplo para outras pessoas que acreditam estar no fim de suas possibilidades. Ao provar que a mente pode comandar o corpo para além dos estigmas sociais, Socorrinho reafirma que a idade é apenas um detalhe cronológico para quem decidiu não apenas durar, mas viver com intensidade e força.
Confira seu trabalho no instagram: https://www.instagram.com/clebersocorrinho/
Em 2026, além das competições nacionais, irá competir no Mundial em Dubai .
Quadro de Conquistas: Socorrinho no Fisiculturismo (2010–2025)
| Ano / Período | Competição / Título | Âmbito | Resultado / Importância |
| 2024 (Final) | Copa do Mundo de Fisiculturismo e Fitness | Mundial (Espanha) | 4ª maior fisiculturista do mundo (Cat. Open) |
| 2024/2025 | Circuito Pan-Americano | Internacional | Multimedalhista (Ouro e Prata) |
| 2010 – 2025 | Campeonatos Nacionais e Regionais | Brasil | Coleção de medalhas e troféus em diversas categorias |
| 2023 – 2025 | Reconhecimento Master de Elite | Nacional | Destaque Nacional como ícone da longevidade ativa |

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