Entendendo a Síndrome de Tourette: Muito Além dos Tiques
A Síndrome de Tourette (ST) é uma condição neurobiológica que ainda gera muitas dúvidas e, infelizmente, preconceito. Muitas vezes retratada de forma caricata em filmes e séries, a realidade de quem convive com a síndrome é marcada por desafios que vão muito além dos movimentos involuntários.
O que é a Síndrome de Tourette?
A ST é um distúrbio do sistema nervoso que causa tiques — movimentos ou sons repetitivos e involuntários. Ela geralmente surge na infância, por volta dos, (entre os 2 e 15 anos) e tende a melhorar ou se estabilizar na idade adulta.e tem uma base genética e neuroquímica, envolvendo neurotransmissores como a dopamina.

O “Alerta” antes do Tique
Diferente de um espasmo muscular comum, a maioria das pessoas com Tourette sente uma urgência premonitória. É uma sensação de desconforto físico (como uma coceira ou um formigamento) que só é aliviada quando o tique é realizado. Imagine o esforço de tentar não espirrar: você pode segurar por um tempo, mas a tensão só cresce.
Principais Sintomas
Para um diagnóstico de Tourette, o indivíduo deve apresentar tiques motores múltiplos e pelo menos um tique vocal por mais de um ano.
1. Tiques Motores
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Simples: Piscar os olhos excessivamente, contrair o nariz, dar de ombros ou fazer caretas.
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Complexos: Tocar objetos, saltar, girar o corpo ou imitar movimentos de outras pessoas (ecopraxia).
2. Tiques Vocais
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Simples: Limpar a garganta, fungar, tossir ou gritar.
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Complexos: Repetir as próprias palavras (palilalia), repetir frases de terceiros (ecolalia) ou o uso involuntário de palavras obscenas (coprolalia).
Nota importante: A coprolalia (palavrões) atinge apenas cerca de 10% a 15% das pessoas com Tourette, apesar de ser o sintoma mais retratado na mídia.
Existem Condições Associadas?
É muito comum que a Tourette venha acompanhada de outras condições, como:
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TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).
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TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo).
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Ansiedade e dificuldades de aprendizagem.
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Como Ajudar e Acolher?

O maior desafio de quem tem Tourette não são os tiques em si, mas o olhar de julgamento da sociedade. Se você deseja ser um aliado, siga estas dicas:
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Ignore o tique: Não peça para a pessoa parar e não comente sobre a frequência dos movimentos. Ignorar o tique ajuda a reduzir a ansiedade do indivíduo.
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Seja paciente: Dê tempo para que a pessoa complete sua fala ou ação sem interrupções.
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Combata o Bullying: A conscientização é a melhor maneira de proteger crianças e adultos em ambientes escolares e de trabalho. Informação de qualidade é a melhor ferramenta contra o preconceito, especialmente porque a Síndrome de Tourette (ST) costuma ser alvo de piadas ou interpretações erradas.
Existe Tratamento?

Embora não exista cura, a Síndrome de Tourette pode ser gerenciada. O tratamento é personalizado e pode incluir:
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Terapia Cognitivo-Comportamental: Especialmente a técnica de Reversão de Hábito.
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Suporte Medicamentoso: Para casos onde os tiques causam dor física ou isolamento social severo.
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Educação e Suporte: Onde a família e a escola aprendem a lidar com a condição de forma leve e inclusiva.
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Perguntas Frequentes
1. A Síndrome de Tourette tem cura?
Não existe uma “cura” definitiva, mas a síndrome é perfeitamente tratável. Para muitos, os tiques diminuem drasticamente no final da adolescência e início da vida adulta. O foco do tratamento é garantir que a pessoa viva com qualidade, sem que os tiques interfiram em suas atividades.
2. Os tiques são sempre iguais ou podem mudar?
Eles costumam mudar. É comum o que chamamos de “tiques em cera e minguante”: um tique pode desaparecer por meses e ser substituído por outro totalmente diferente. Eles também podem variar de intensidade dependendo do estado emocional.
3. É possível controlar os tiques voluntariamente?
Apenas por curtos períodos. É como tentar não piscar ou não respirar: você consegue segurar por um tempo, mas isso gera um acúmulo de tensão física que geralmente resulta em uma “explosão” de tiques ainda maior depois. Reprimir os tiques não é recomendado, pois causa exaustão e ansiedade.
4. Quem tem Tourette pode dirigir ou trabalhar normalmente?
Com certeza. A grande maioria das pessoas com Tourette leva uma vida normal, trabalha, dirige e forma família. Em muitos casos, os tiques diminuem quando a pessoa está focada em uma tarefa técnica, como dirigir ou operar um computador.
5. O uso de telas (celular/videogame) piora a Tourette?
Não há evidências de que as telas causem a síndrome, mas o estímulo excessivo, a luz azul e a excitação de jogos competitivos podem aumentar a frequência dos tiques temporariamente devido ao estado de alerta do cérebro.
6. A Tourette é hereditária?
Sim, existe uma forte componente genética. Estudos mostram que filhos de pessoas com Tourette têm uma chance maior de desenvolver a condição ou outros transtornos relacionados, como o TOC, embora a gravidade dos sintomas varie muito de uma pessoa para outra.
7. Como devo reagir ao ver alguém tendo um tique em público?
A melhor reação é a não reação. Trate a pessoa com naturalidade, mantenha o contato visual e continue a conversa normalmente. Fingir que não percebeu é a forma mais respeitosa de não gerar pressão social sobre o indivíduo.
Onde buscar ajuda e informação científica?
1. Associações e Apoio ao Paciente
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ASTOC (Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo): É a principal referência no Brasil. Oferece orientação para famílias, palestras e materiais educativos.
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Site: astoc.org.br
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Tourette Association of America (TAA): A maior organização mundial sobre o tema. Embora o conteúdo principal seja em inglês, eles possuem os guias de manejo mais atualizados do mundo.
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Site: tourette.org
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2. Centros de Referência Médica e Acadêmica
- PROTOCOLO (USP) :
O Programa do Transtorno Obsessivo-Compulsivo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (São Paulo) é um dos maiores centros de pesquisa e tratamento de tiques e Tourette na América Latina.
- Unifesp (Universidade Federal de São Paulo): Possui ambulatórios especializados em distúrbios do movimento e neurogenética.

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