CCBB Brasília apresenta 23 filmes: retrospectiva completamente gratuita de Todd Haynes
Todas as sessões têm entrada gratuita e a extensa programação paralela inclui debates, sessões apresentadas, sessões comentadas e um curso
A programação inclui títulos fundamentais como Longe do paraíso, Carol, Velvet Goldmine, Não estou lá, Mal do século, Segredos de um escândalo e The Velvet Underground, além de cópias restauradas e obras inéditas no Brasil. A mostra também destaca atuações marcantes de Julianne Moore, Cate Blanchett, Rooney Mara e Natalie Portman, atrizes centrais na construção do universo sensível e político do cineasta.
Ao lado da filmografia de Haynes, a mostra apresenta filmes de outros realizadores, escolhidos por sua relevância histórica, estética e política, revelando diferentes tradições cinematográficas. Entre os títulos estão Jeanne Dielman (1975), de Chantal Akerman; O medo devora a alma (1974), de Rainer Werner Fassbinder; Tudo que o céu permite (1955), de Douglas Sirk; Uma mulher sob influência (1974), de John Cassavetes; Desencanto (1945), de David Lean; Canção de amor (1950), de Jean Genet; além de obras de Leslie Thornton, Sadie Benning, Daniel Nolasco e Fábio Ramalho.
“Ao colocar esses filmes em relação, a mostra propõe pensar o cinema como um campo de atravessamentos, de linguagem, de política e de sensibilidade. Mais do que influências diretas, o que emerge é uma constelação de obras que ajudam a entender como certas formas de ver e sentir o mundo foram se construindo ao longo do tempo”, afirma Camila Macedo.
Outro eixo central da curadoria é a investigação do melodrama — frequentemente associado de forma equivocada a um estatuto artístico menor — como potência crítica e estética. “É interessante pensar que, apesar da popularidade no Brasil, a telenovela e as abordagens melodramáticas ainda carregam certo preconceito. Discutir os usos e reinvenções do melodrama a partir de um cineasta da envergadura de Haynes torce esses enquadramentos e nos permite pensar uma sensibilidade que escapa a dicotomias simplistas entre afeto e pensamento”, destaca Carol Almeida.
A Mostra também chama atenção para a colaboração recorrente entre Todd Haynes e o montador brasileiro Affonso Gonçalves, figura central do cinema independente estadunidense. Gonçalves assinou a montagem de filmes fundamentais do diretor, como Carol (2015), The Velvet Underground (2021) e Segredos de um escândalo (2023), contribuindo decisivamente para o ritmo, a delicadeza e a construção emocional dessas obras.
Programação formativa e encontros com o público
A proposta da Mostra Todd Haynes se estende para além das sessões de cinema, com uma programação paralela que inclui duas mesas de debate sobre temas relacionados à filmografia do homenageado, seis sessões comentadas ao final, duas sessões apresentadas no início e um curso de dois dias, reunindo, neste conjunto de atividades, diferentes convidados, entre pesquisadores, críticos e realizadores, com o objetivo de aprofundar reflexões sobre cinema, linguagem, melodrama, representação feminina e cinema queer, em diálogo com o presente.
A mesa “Donas de casa encarceradas nas estratégias melodramáticas de Todd Haynes” acontece no dia 14 de março (sábado), às 17h, e discute a recorrência e as reinvenções das figuras femininas e da domesticidade na obra do cineasta. Participam as pesquisadoras Emília Silberstein e Lila Foster, com mediação de Carol Almeida. A atividade contará com tradução em Libras.
Já a mesa “O legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer”, no dia 21 de março (sábado), às 17h, propõe refletir sobre as reverberações de sua obra em uma nova geração de cineastas e práticas contemporâneas, com Mike Peixoto e Marisa Arraes, além da mediação de Camila Macedo, contando também com intérprete de Libras.
“A ideia dessas atividades é criar um espaço de escuta e de troca, em que a obra de Haynes possa ser pensada não como um monumento, mas como um cinema vivo, em diálogo com questões urgentes do presente e com outras formas de fazer e pensar o audiovisual”, afirma Carol Almeida.
As sessões apresentadas e comentadas ampliam esse contato direto com o público, propondo conversas mais intimistas antes e após as exibições, respectivamente. Entre os destaques estão a sessão de abertura, do filme Não estou lá, apresentada por Mariana Souto (3 de março, às 18h30); Carol, apresentada por Ana Caroline Brito (5 de março, às 19h); Velvet Goldmine (7 de março, às 18h15) e Mal do século (8 de março, às 18h), com comentários de integrantes do Cinebeijoca (Cineclube da UnB); além de sessões comentadas por Carol Almeida, Camila Macedo, Marcus Azevedo e Letícia Bispo ao longo da programação.
A proposta formativa inclui ainda o curso “Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de Carol, de Todd Haynes”, ministrado por Alessandra Brandão e Ramayana Lira de Sousa, em dois encontros, nos dias 14 e 15 de março. A partir de um dos filmes mais emblemáticos do cineasta, o curso investiga os códigos do cinema hollywoodiano e os processos de visibilidade e apagamento lésbico na história do cinema narrativo, articulando crítica feminista e cinema contemporâneo. Para participar do curso, basta retirar o ingresso gratuitamente na bilheteria física, uma hora antes do início de cada aula.
Catálogo com textos inéditos
A Mostra Todd Haynes é acompanhada pelo lançamento de um catálogo inédito, disponível em versões impressa e digital (disponível para download no link https://ccbb.com.br/programacao-digital/catalogos/), reunindo textos de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros e estrangeiros dedicados à obra do cineasta. Entre os destaques está a tradução inédita de um texto de Mary Ann Doane, professora emérita da Universidade da California, Berkeley, referência fundamental da teoria feminista do cinema e ex-professora de Todd Haynes, além de uma entrevista exclusiva com o diretor, realizada especialmente para a publicação.
“Todos os textos do catálogo são inéditos. A publicação funciona como uma extensão da mostra e como uma ferramenta de reflexão duradoura sobre a obra de Haynes e suas reverberações”, afirma Camila Macedo. Exemplares impressos serão distribuídos ao público gratuitamente mediante a apresentação de ingressos de sessões.
“Ainda que o cinema de Todd Haynes atravesse preocupações estéticas muito distintas ao longo do tempo, existe algo que percorre toda a sua obra: uma crítica sofisticada às máscaras sociais. São filmes atentos às superfícies e ao que insiste em se revelar por trás delas”, conclui Carol Almeida.
Comprometida com a ampliação do acesso, a Mostra Todd Haynes contará com sessão acessível de Carol, com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras, exibição que conta com cópia dublada em português. As mesas de debate também terão tradução simultânea em Libras.
FICHA TÉCNICA
Curadoria: Carol Almeida e Camila Macedo
Idealização, coordenação geral e produção executiva: Hans Spelzon
Empresa produtora: Caprisciana Produções
Apoio Institucional: Instituto Goethe
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e Governo do Brasil
Patrocínio: Banco do Brasil
CONVIDADOS
Mariana Souto
Ana Caroline Brito
Cinebeijoca
Marcus Azevedo
Lila Foster
Emília Silberstein
Ramayana Lira de Sousa
Alessandra Brandão
Letícia Bispo
Mike Peixoto
Marisa Arraes
Sobre o CCBB Brasília
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Localizado no Edifício Tancredo Neves, o prédio é uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer e tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.Com projeto paisagístico de autoria de Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows, espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, é oferecido o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais, aproximando o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolha públicas e particulares, universitários e instruções, por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional.
O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta no vídeo de divulgação exibido no interior do veículo. Mais informações em: Serviços Oferecidos | CCBB Brasília
Horário da van – De quinta-feira a domingo: Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h | CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.
SERVIÇO
Mostra Todd Haynes
Curadoria: Carol Almeida e Camila Macedo
Produção: Caprisciana Produções
Data: De 3 a 22 de março
Local: CCBB Brasília
Endereço: Asa Sul Trecho 2 – Asa Sul, Brasília – DF
Tel: (61) 3108-7600
Website: https://ccbb.com.br/brasilia/
Instagram: @ccbbbrasilia
Ingressos: Entrada gratuita. Retirada dos ingressos 1h antes, presencialmente, na bilheteria do CCBB Brasília.
Classificação: ver programação
Horários: Ver programação.
Assessoria de Imprensa do Projeto:
Panorama Assessoria
Ulisses de Freitas
(61) 98126-6445
Assessoria de Comunicação do CCBB Brasília:
Jamerson de Sousa Costa
(61) 3108-7600 | (61) 98147-3594
PROGRAMAÇÃO COMPLETA POR DIA:
03 de março 2026 (terça-feira)
18h30 – Sessão apresentada (Mariana Souto) + Não estou lá (I’m not there, Todd Haynes, 2007, 135 minutos, EUA / ALE, digital) – 12 anos
04 de março 2026 (quarta-feira)
16h30 – Sem fôlego (Wonderstruck, Todd Haynes, 2017, 116 minutos, EUA, digital) – 10 anos
19h00 – Segredos de um escândalo (May December, Todd Haynes, 2023, 117 minutos, EUA, digital) – 16 anos
05 de março 2026 (quinta-feira)
16h30 – O preço da verdade (Dark waters, Todd Haynes, 2019, 126 minutos, EUA, digital) – 12 anos
19h00 – Sessão apresentada (Ana Caroline Brito) + Carol (Carol, Todd Haynes, 2015, 118 minutos, EUA / GBR, digital) – 14 anos
06 de março 2026 (sexta-feira)
17h30 – Tudo que o céu permite (All that heaven allows, Douglas Sirk, 1955, 89 minutos, EUA, digital) – 16 anos
19h15 – Longe do paraíso (Far from heaven, Todd Haynes, 2002, 107 minutos, EUA / FRA, digital) – 14 anos
07 de março 2026 (sábado)
16h00 – The Velvet Underground (The Velvet Underground, Todd Haynes, 2021, 121 minutos, EUA, digital) – 16 anos
18h15 – Velvet Goldmine (Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1998, 123 minutos, GBR / EUA, digital) + Sessão comentada (Parceria Cinebeijoca) – 18 anos
08 de março 2026 (domingo)
15h15 – Uma mulher sob influência (A woman under the influence, John Cassavetes, 1974, 146 minutos, EUA, digital) – 16 anos
18h00 – Mal do século (Safe, Todd Haynes, 1995, 119 minutos, EUA / GBR, digital) + Sessão comentada (Parceria Cinebeijoca) – 14 anos
10 de março 2026 (terça-feira)
17h00 – Jeanne Dielman (Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles, Chantal Akerman, 1975, 201 minutos, BEL / FRA, digital) – 16 anos
11 de março 2026 (quarta-feira)
18h30 – Canção de amor (Un chant d’amour, Jean Genet, 1950, 26 minutos, FRA, digital) + Veneno (Poison, Todd Haynes, 1991, 85 minutos, EUA, digital) + Sessão comentada (Marcus Azevedo) – 18 anos
12 de março 2026 (quinta-feira)
17h30 – Desencanto (Brief encounter, David Lean, 1945, 86 minutos, GBR, digital) – 14 anos
19h15 – Carol (Carol, Todd Haynes, 2015, 118 minutos, EUA / GBR, digital) – 14 anos
13 de março 2026 (sexta-feira)
19h00 – O suicídio (The suicide, Todd Haynes, 1978, 22 minutos, EUA, digital) + Assassinos: um filme sobre Rimbaud (Assassins: a film concerning Rimbaud, Todd Haynes, 1985, 43 minutos, EUA, digital) + Peggy e Fred no inferno: o prólogo (Peggy and Fred in hell: the prologue, Leslie Thornton, 1984, 20 minutos, EUA, digital) + Sessão comentada (Carol Almeida) – 16 anos
14 de março 2026 (sábado)
10h00 – Curso “Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de ‘Carol’, de Todd Haynes” – 16 anos
17h00 – Debate 1: Donas de casa encarceradas nas estratégias melodramáticas de Todd Haynes, com Emilia Silberstein, Lila Foster e mediação de Carol Almeida (com LIBRAS) – 16 anos
19h00 – Segredos de um escândalo (May December, Todd Haynes, 2023, 117 minutos, EUA, digital) – 16 anos
15 de março 2026 (domingo)
10h00 – Curso “Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de ‘Carol’, de Todd Haynes” – 16 anos
16h00 – O medo devora a alma (Angst essen Seele auf, Rainer Werner Fassbinder, 1974, 93 minutos, ALE, digital) – 16 anos
18h00 – Longe do paraíso (Far from heaven, Todd Haynes, 2002, 107 minutos, EUA / FRA, digital) + Sessão comentada (Letícia Bispo) – 14 anos
17 de março 2026 (terça-feira)
18h30 – Sessão com acessibilidade – Carol (Carol, Todd Haynes, 2015, 118 minutos, EUA / GBR, digital) + Conversa com a curadoria – 14 anos
8 de março 2026 (quarta-feira)
19h00 – O preço da verdade (Dark waters, Todd Haynes, 2019, 126 minutos, EUA, digital) – 12 anos
19 de março 2026 (quinta-feira)
17h00 – Jollies (Jollies, Sadie Benning, 1991, 11 minutos, EUA, digital) + Dottie leva palmadas (Dottie gets spanked, Todd Haynes, 1993, 30 minutos, EUA, digital) + Primavera (Primavera, Fábio Ramalho, 2017, 24 minutos, BRA, digital) + Sessão comentada (Camila Macedo) – 16 anos
19h15 – Canção de amor (Un chant d’amour, Jean Genet, 1950, 26 minutos, FRA, digital) + Veneno (Poison, Todd Haynes, 1991, 85 minutos, EUA, digital) – 18 anos
20 de março 2026 (sexta-feira)
17h00 – Vento seco (Vento seco, Daniel Nolasco, 2020, 110 minutos, BRA, digital) – 18 anos
19h00 – Velvet Goldmine (Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1998, 123 minutos, GBR / EUA, digital) – 18 anos
21 de março 2026 (sábado)
17h00 – Debate 2: O legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer, com Mike Peixoto, Marisa Arraes e mediação de Camila Macedo (com LIBRAS) – 16 anos
19h00 – Mal do século (Safe, Todd Haynes, 1995, 119 minutos, EUA / GBR, digital) – 14 anos
22 de março 2026 (domingo)
16h00 – The Velvet Underground (The Velvet Underground, Todd Haynes, 2021, 121 minutos, EUA, digital) – 16 anos
18h15 – Não estou lá (I’m not there, Todd Haynes, 2007, 135 minutos, EUA / ALE, digital) – 12 anos
FILMES E SINOPSES:

May December, Todd Haynes, 2023, 117 minutos, EUA
Sinopse: Inspirado em uma história real, o filme conta a história de Gracie e seu marido Joe, que é 23 anos mais novo que ela. O relacionamento dos dois começou quando Joe ainda tinha 13 anos, causando um escândalo nos jornais. Vinte anos depois desse romance ter chegado às manchetes, o casal vive uma vida tranquila enquanto se prepara para que seus gêmeos comecem o ensino médio. No entanto, suas rotinas serão alteradas quando a atriz Elizabeth Berry começa a estudar Gracie para um papel no cinema.

Sinopse: O legado da icônica banda de rock no primeiro grande documentário a contar sua história. Dirigido com o espírito vanguardista da época, esta história oral caleidoscópica combina entrevistas exclusivas – entre elas conversas com os membros sobreviventes da banda, John Cale e Maureen Tucker – com imagens de arquivo deslumbrantes que acompanham a história da banda desde sua formação até o fim da formação original no início dos anos 1970.

Dark waters, Todd Haynes, 2019, 126 minutos, EUA
Sinopse: Robert Bilott é um advogado de defesa corporativo que ganhou prestígio trabalhando em casos de grandes empresas de químicos. Quando um fazendeiro, que conhece a avó de Billot, chama a atenção do advogado para mortes de gado que podem estar ligadas ao lixo tóxico de uma dessas empresas, ele embarca em uma luta pela verdade, num processo judicial que dura anos e põe em risco sua carreira, sua família e seu futuro.

Wonderstruck, Todd Haynes, 2017, 116 minutos, EUA
Sinopse: Em 1977, ao atender um telefonema, o garoto Ben é atingido pelo reflexo de um raio, situação que faz com que passe a não conseguir mais escutar nenhum som. Em 1927, a jovem surda Rose foge de sua casa em Nova York para encontrar sua mãe, a consagrada atriz Lillian Mayhew. A vida dessas duas crianças está interligada a partir de um livro de curiosidades, que os leva tanto ao Museu de História Natural, quanto a uma história de amor.

Carol, Todd Haynes, 2015, 118 minutos, EUA / GBR
Sinopse: Nova York, anos 1950, período natalino. Therese Belivet trabalha numa grande loja de Manhattan e sonha com uma vida mais plena quando, num balcão de atendimento dessa loja, conhece Carol Aird, uma mulher sedutora que, Therese descobre depois, está presa a um casamento infeliz. Após poucos minutos de conversa, a vida das duas será radicalmente alterada porque, claro, Carol esquece sua luva no balcão e Therese precisa reencontrá-la.

Não estou lá
I’m not there, Todd Haynes, 2007, 135 minutos, EUA / ALE
Sinopse: Seis personagens – um menino negro, um poeta, um ator, um fora-da-lei, um cantor em crise com seus fãs e o protagonista de um documentário – remontam livremente a trajetória de Bob Dylan em pequenas passagens que se misturam ao longo do filme, numa contra-biografia menos interessada em fatos, e mais atenta a capturar as narrativas poéticas ao redor do famoso compositor.

Far from heaven, Todd Haynes, 2002, 107 minutos, EUA / FRA
Sinopse: Nos anos 1950, em Connecticut, Cathy e Frank Whitaker são o ideal da família perfeita no imaginário capitalista do “sonho americano”. Mas por trás das aparências, os dois enfrentam uma crise conjugal e um mundo tensionado por questões raciais num país segregacionista. Quando Cathy toma decisões que, para a preservação de seu status quo, parecem ser ousadas, ela irá despertar a fofoca da vizinhança e transformar várias vidas.

Velvet Goldmine
Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1998, 123 minutos, GBR / EUA
Sinopse: Já se passaram 10 anos desde que o astro do glam-rock Brian Slade forjou sua própria morte e desapareceu dos holofotes. Agora, cabe ao repórter investigativo Arthur Stuart, que na sua juventude viveu intensamente o surgimento do glam rock e a emergência de seus grandes ícones, localizar essa lenda viva e descobrir a verdade por trás de seu desaparecimento. Uma releitura poética e não-autorizada que Haynes faz da trajetória de lendas da música como David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed.

Safe, Todd Haynes, 1995, 119 minutos, EUA / GBR
Sinopse: Carol White, uma dona de casa de Los Angeles que vive a tranquila vida de esposa-troféu, começa a ter aquilo que, num primeiro momento, parece ser reações alérgicas graves a produtos químicos cotidianos. Isso vai transformar a segurança de sua existência em um terror da vida diária. Após inúmeras consultas de diagnósticos inconclusivos, ela parte para o Novo México para um tratamento “alternativo”, onde Carol, talvez pela primeira vez, precisará reconhecer a si mesma.
Dottie leva palmadas
Dottie gets spanked, Todd Haynes, 1993, 30 minutos, EUA
Sinopse: Um menino de seis anos nos Estados Unidos da era pré-hippie, na década de 1960, sofre bullying de seus colegas de escola e a preocupação de seu pai devido à sua fixação por uma estrela de TV chamada Dottie. O filme, que tem um tom autobiográfico, explora a imaginação dessa criança como um ambiente em que ele consegue assumir outros papéis além daqueles que parecem ser pré-determinados pra ele.

Poison, Todd Haynes, 1991, 85 minutos, EUA
Sinopse: Composto por três segmentos, o primeiro longa de Haynes é herdeiro de várias influências cinéfilas do diretor e considerado um dos marcos do New Queer Cinema. Três histórias entrelaçadas sobre estranhos, sexo e violência: um pseudodocumentário sobre um garoto de sete anos que mata o pai; um cientista maluco que descobre a essência da sexualidade humana; o amor homossexual entre prisioneiros.

Sinopse: O primeiro filme de Todd Haynes, aqui numa cópia restaurada, centra sua atenção no amor violento entre os poetas Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. Importante notar como algumas assinaturas e interesses na filmografia de Haynes já estão presentes aqui: a presença da música pop, o tom ensaístico, o artificial, a linguagem queer. Um exercício que brinca ao som de Iggy Pop e da banda Throbbing Gristle, enquanto faz cruzar as vidas de Jean Genet e Rainer Werner Fassbinder às de Rimbaud e Verlaine.
O suicídio
The suicide, Todd Haynes, 1978, 22 minutos, EUA
Sinopse: Filmado tanto em 8mm quanto em 16 mm, assim como no filme Dottie leva palmadas, aqui temos um garoto, esse já adolescente, sofrendo bullying na escola e decidindo agir de forma drástica para interromper sua própria vida, em um tom propositalmente “sujo”. Grande parte do filme se passa em um ambiente doméstico tipicamente estadunidense, enquanto a mãe cegamente otimista do garoto tenta explicar que sua nova escola será um lugar acolhedor.
O medo devora a alma
Angst essen Seele auf, Rainer Werner Fassbinder, 1974, 93 minutos, ALE (RFA)
Sinopse: Uma viúva solitária conhece um trabalhador marroquino mais jovem em um bar. Para a surpresa de ambos, e para o choque da família e dos colegas dela, eles se apaixonam.
Uma mulher sob influência
A woman under the influence, John Cassavetes, 1974, 146 minutos, EUA
Sinopse: Mabel é casada com Nick, um construtor civil sobrecarregado pelo trabalho. Emocionalmente frágil, mas em busca da felicidade, seu comportamento instável faz com que Nick a considere um risco para a família. Ele decide então interná-la em um hospital psiquiátrico.
Desencanto
Brief encounter, David Lean, 1945, 86 minutos, GBR
Sinopse: Nessa adaptação da peça Still Life (1936) de Noël Coward, a dona de casa Laura Jesson flerta com a ideia de ter um caso com o médico Alec Harvey, a quem conhece em um café em uma estação ferroviária. Eles continuarão a se encontrar todas as quintas-feiras no pequeno café, embora saibam que seu amor é impossível.
Jeanne Dielman
Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles, Chantal Akerman, 1975, 201 minutos, BEL / FRA
Sinopse: Três dias na vida de uma dona de casa viúva e solitária, que realiza suas tarefas diárias. Aos poucos, sua rotina ritualizada começa a desmoronar. Um filme marcante e único na história do cinema, Jeanne Dielman é a obra-prima de Chantal Akerman. O filme é ao mesmo tempo um exigente estudo de personagem e uma das representações mais hipnóticas e completas do espaço e tempo no cinema. Obra essencial que continua sendo analisada e debatida por diversas gerações de cinéfilos.
Tudo que o céu permite
All that heaven allows, Douglas Sirk, 1955, 89 minutos, EUA
Sinopse: A atraente viúva Cary Scott é consideravelmente mais velha que o belo jardineiro Ron Kirby. Desafiando as convenções sociais e enfrentando o ostracismo, Cary decide viver seu romance com Ron, que é injustamente visto como um caça-fortunas pelos amigos e pela família dela.
Canção de amor
Un chant d’amour, Jean Genet, 1950, 26 minutos, FRA
Sinopse: Dois prisioneiros em isolamento total, separados pelas grossas paredes de tijolos e necessitando desesperadamente de contato humano, inventam um tipo de comunicação bastante incomum.
Peggy e Fred no inferno: o prólogo
Peggy and Fred in hell: the prologue, Leslie Thornton, 1984, 20 minutos, EUA
Sinopse: Revelando os abusos da história e da inocência diante da catástrofe, o filme narra a jornada de duas crianças pequenas através de uma paisagem pós-apocalíptica para criar mundos próprios. Rompendo restrições de gênero, Thornton utiliza improvisação, citações inseridas, material de arquivo e temporalidades sem forma para confrontar as ideias preconcebidas do espectador sobre causa e efeito.
Jollies
Jollies, Sadie Benning, 1990, 11 minutos, EUA
Sinopse: Benning apresenta uma cronologia de suas paixões e beijos, traçando o desenvolvimento de sua sexualidade nascente. Dirigindo-se à câmera com um ar de sedução e romance, Benning transmite ao espectador a sensação de sua ansiedade e do deleite especial ao se dar conta de sua identidade lésbica.
Vento seco
Vento seco, Daniel Nolasco, 2020, 110 minutos, BRA
Sinopse: No mês de julho, o vento seco e a baixa umidade do ar ressecam a pele dos moradores de uma pequena cidade no interior de Goiás. Sandro divide seus dias entre o clube da cidade, o trabalho, o futebol com amigos e as festas locais. Ele tem um relacionamento com Ricardo, seu colega de trabalho. Mas a sua rotina começa a mudar com a chegada de Maicon, um rapaz que desperta o seu interesse e do qual todos sabem muito pouco.
Primavera
Primavera, Fábio Ramalho, 2017, 24 minutos, BRA
Sinopse: “Querido, obrigado por cuidar da casa. Tem vinho na geladeira. Se Raja ficar inquieto, é só dar um biscoitinho.”
ATIVIDADES PARALELAS:
Sessões comentadas
07 de março de 2026 (sábado)
Velvet Goldmine, comentada pelo Cinebeijoca
08 de março de 2026 (domingo)
Mal do século, comentada pelo Cinebeijoca
11 de março de 2026 (quarta-feira)
Canção de amor e Veneno, comentada por Marcus Azevedo
13 de março de 2026 (sexta-feira)
O suicídio, Assassinos: um filme sobre Rimbaud, Peggy e Fred no inferno: o prólogo, comentada por Carol Almeida
15 de março de 2026 (domingo)
Longe do paraíso, comentada por Letícia Bispo
19 de março de 2026 (quinta-feira)
Jollies, Dottie leva palmadas e Primavera, comentada por Camila Macedo
Sessões apresentadas
03 de março de 2026 (terça-feira)
Não estou lá, apresentada por Mariana Souto
05 de março de 2026 (quinta-feira)
Carol, apresentada Ana Caroline Brito
Mesas de debate
14 de março de 2026 (sábado)
17h – Debate 1: Donas de casa encarceradas nas estratégias melodramáticas de Todd Haynes
Descrição: A proposta é pensar como o diretor projeta figuras femininas em seus filmes e produz debates de gênero a partir da remodelação dos códigos do melodrama no cinema, tradicionalmente vinculados a um suposto “cinema para mulheres”. A partir de conceitos sobre o espaço do “lar” e dos limites entre o doméstico e o público, vamos debater sobre os gestos políticos nos roteiros e nos modos de filmar que Haynes adota em várias de suas obras.
Duração: 90 minutos
Convidados: Emília Silberstein, Lila Foster, com mediação de Carol Almeida
Acessibilidade: presença de intérprete de Libras
21 de março de 2026 (sábado)
17h – Debate 2: O legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer
Descrição: Como um dos mais proeminentes nomes do New Queer Cinema dos anos 1990, o trabalho de Todd Haynes tem inspirado filmografias de jovens cineastas queer ao redor do mundo e, também, no Brasil. Nesta mesa, conversaremos sobre essas influências, com especial atenção aos diálogos entre a obra de Haynes e filmes brasileiros da atualidade.
Duração: 90 minutos
Convidados: Mike Peixoto, Marisa Arraes, com mediação de Camila Macedo
Acessibilidade: presença de intérprete de Libras
Curso
14 e 15 de março de 2026 (sábado e domingo)
10h às 15h (inclui intervalo de 1 hora)
Título: Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de Carol, de Todd Haynes
Descrição: O filme Carol é frequentemente lembrado por sua sofisticação formal, mas este curso/oficina propõe tratá-lo como um dispositivo de investigação: como a espectatorialidade se torna ação (insistência, imaginação e sobrevivência) diante de imagens historicamente marcadas entre apagamento e codificação. Apresentaremos a fabulação como inventário, recuperando imagens como bens afetivos e reorganizando-as em um baú de referências lésbicas e/ou cuir em contínua invenção e reinvenção. Mobilizaremos o velcro como método, curadoria-crítica por fricção que tensiona superfícies e produz sentido na própria montagem. Na dimensão prática, construiremos um dossiê-velcro com seleção comentada de cenas, constelações de imagens e um roteiro de montagem que explicita aderências, descolamentos e tensões, expresso, entre outras possibilidades, na forma de storyboard de vídeo-ensaio, sequência montável ou um atlas anotado de espectatorialidade lésbica e/ou cuir.
Duração: 8 horas, sendo 4 horas em cada dia.
Ministrantes: Alessandra Brandão e Ramayana Lira.
Informações no site e retirada de ingressos na bilheteria do CCBB Brasília.
Sessão com acessibilidade
17 de março de 2026 (terça-feira)
18h30 – Filme: Carol
Descrição: Exibição de um dos mais célebres filmes da carreira de Todd Haynes, que condensa algumas das suas principais marcas autorais (como as escolhas de encenação, os usos dos códigos melodramáticos, o protagonismo feminino, as discussões ao redor da sexualidade e de suas restrições sociais, a reconstituição de época e o diálogo com outras linguagens artísticas), em cópia com audiodescrição, legendagem descritiva e Libras. Voltada a pessoas com deficiência visual, surdas e ensurdecidas, a sessão é seguida de conversa com a curadoria com presença de intérprete de Libras.
Acessibilidade: presença de intérprete de Libras durante a conversa.
Ulisses de Freitas – (61) 98126-6445

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