Brasil vê número de fumantes crescer 2% nos primeiros meses de 2026

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Brasil vê número de fumantes crescer 2% nos primeiros meses de 2026

Brasil vê número de fumantes crescer 2% nos primeiros meses de 2026

O Brasil enfrenta um revés preocupante em sua histórica luta contra o tabagismo. Após décadas de declínio constante, novos dados do relatório Vigitel Brasil 2006-2024, publicado pelo Ministério da Saúde, acenderam o alerta máximo nas autoridades sanitárias: o índice de fumantes no país registrou um crescimento de 2,3 pontos percentuais em apenas um ano. Em 2023, a taxa de prevalência era de 9,2%, saltando para 11,5% em 2024.

Este aumento interrompe uma tendência de queda e coloca em xeque as políticas de erradicação do fumo. O principal vilão desse cenário é o cigarro eletrônico, que, apesar de proibido, tornou-se onipresente entre as gerações mais novas. O uso desses dispositivos, que possuem maior concentração de substâncias tóxicas, tem acelerado o agravo de doenças respiratórias, transformando o que era uma tendência de redução em um novo desafio de saúde pública.

O rastro de destruição e os custos para o SUS

O tabagismo não é apenas um hábito, mas uma doença crônica causada pela dependência da nicotina, classificada internacionalmente no grupo de transtornos mentais e comportamentais. O impacto físico é devastador: o fumo é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão. Ao todo, mais de 145 mil pessoas morrem anualmente no Brasil devido ao tabaco — uma média assustadora de 477 mortes por dia.

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O pulmão, órgão incapaz de metabolizar as mais de 5.200 substâncias inaladas a cada tragada, sofre uma inflamação crônica que abre caminho para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), responsável por 40 mil mortes anuais. Além do custo em vidas, o sistema financeiro também é drenado. O tratamento das doenças relacionadas ao fumo custa R$ 153,5 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS), valor que

O ciclo vicioso entre dor crônica e nicotina

Um fator que tem dificultado o abandono do vício é a relação intrínseca entre o fumo e a dor crônica. Estudos realizados entre 2014 e 2023, com quase 200 mil participantes, revelam que pessoas com dores persistentes têm o dobro de chance de fumar. Cria-se um ciclo perverso: o indivíduo busca no tabaco uma propriedade analgésica de curto prazo para aliviar o desconforto, mas o fumo acaba por piorar a inflamação e aumentar a sensibilidade à dor a longo prazo.

Especialistas apontam que, quanto mais incapacitante é a dor, maior é a tendência ao consumo de nicotina como mecanismo de enfrentamento emocional. No entanto, essa estratégia agrava o quadro clínico e torna a redução do fumo muito mais lenta nesse grupo específico. A solução defendida por médicos é a adoção de tratamentos integrados que combinem o manejo da dor com a cessação do tabagismo, atacando as duas frentes simultaneamente para quebrar a dependência.

Aconselhamento médico pode economizar R$ 1 bilhão

Apesar da gravidade, a solução pode começar com uma atitude simples nos consultórios. Uma pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que uma conversa de apenas cinco minutos entre médico e paciente pode ser o fator decisivo para evitar a iniciação ao fumo ou motivar o abandono. Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas passaram por consultas recentemente sem receber qualquer orientação sobre o tabaco. Se esse aconselhamento fosse rotina, o número de fumantes poderia cair em meio milhão, poupando até R$ 1 bilhão dos cofres públicos.

Para quem deseja parar, o SUS oferece suporte gratuito. O tratamento envolve reuniões de psicoterapia cognitiva comportamental e, quando necessário, o uso de medicamentos ou reposição de nicotina. Com o aumento do consumo entre jovens e a complexidade do vínculo com a nicotina , o fortalecimento dessas redes de apoio torna-se fundamental para reverter os números negativos de 2024.

Uma rede de apoio que vem crescendo muito são grupos formados nas redes sociais com a finalidade de serem mais uma forma de apoio, contra o consumo de nicotina.

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