Empresas de tecnologia têm recorrido a líderes religiosos, filósofos e especialistas em ética para discutir princípios que possam orientar a Ética da IA, segundo reportagem do G1 publicada em 27 de outubro de 2026. Entre as companhias citadas estão Anthropic, Meta, Google, Amazon e Microsoft, em um movimento relacionado à criação de sistemas capazes de responder a decisões e dilemas morais.
A discussão ocorre enquanto o setor desenvolve modelos cada vez mais sofisticados e debate como reduzir riscos associados ao uso da inteligência artificial. A aproximação com tradições religiosas não significa que as empresas estejam ligadas a uma fé específica: a intenção relatada é buscar referências amplas para definir comportamentos esperados dos chatbots e de outros sistemas automatizados.
Chris Olah, cofundador da Anthropic, afirmou no Vaticano, durante a apresentação de uma encíclica do papa Leão XIV sobre inteligência artificial, que perguntas sobre certo e errado não podem ser resolvidas apenas por laboratórios. “São perguntas com as quais tradições como a sua lidam há milênios”, disse ele, conforme reproduziu o G1.
Anthropic diz ter ouvido mais de 15 grupos religiosos e interculturais
Em publicação de maio em seu blog, a Anthropic informou que se reuniu com acadêmicos, clérigos, filósofos e especialistas em ética de mais de 15 grupos religiosos e interculturais. A empresa afirmou que pretende ampliar esse grupo. Meghan Sullivan, filósofa da religião e coordenadora de uma iniciativa sobre ética e IA na Universidade de Notre Dame, participou de uma reunião da companhia com cristãos de diferentes denominações.
Segundo Sullivan, o encontro teve uma etapa de explicação sobre os modelos em linguagem simples e outra dedicada a comentários dos participantes. Entre os assuntos debatidos estavam questões sobre a existência de alma nos seres humanos e o uso de chatbots por alunos do terceiro ano para apoio à alfabetização.
Especialistas apontam limites de transformar fé em regras para algoritmos
O modelo de consulta também recebe ressalvas de estudiosos da religião. Webb Keane, antropólogo da Universidade de Michigan, afirmou ao G1 que reduzir religiões a conjuntos de regras morais deixa de lado práticas, rituais, relações comunitárias e vínculos com cultura e política.
Para Keane, essa simplificação pode favorecer tradições mais associadas a códigos normativos, especialmente religiões abraâmicas, e distorcer outras formas de vivência religiosa. Tomoko Masuzawa, autora de “A Invenção das Religiões Mundiais”, também é citada na reportagem ao questionar categorias modernas que passaram a separar e comparar tradições como sistemas distintos.
Sam Altman, CEO da OpenAI, havia defendido no ano anterior que o ChatGPT deveria refletir uma espécie de média ponderada da visão moral da humanidade. O debate relatado pelo G1 indica, porém, que participantes e pesquisadores divergem sobre a possibilidade de converter crenças, valores e tradições diversas em parâmetros comuns para sistemas de inteligência artificial.
Fonte do texto: G1.

